Por Geovani Bucci e Sofia Aguiar, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – A ministra da Secretaria das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu nesta sexta-feira (21) a criação de uma estratégia do chamado “campo democrático” para evitar a eleição massiva de candidatos de extrema direita para o Senado nas próximas eleições. “Temos que ter meta de construção de frente ampla em 2026, como tivemos em 2022”, disse em entrevista à TV Fórum.
E acrescentou: “Meu foco não é esse aqui no governo, meu foco é dar governabilidade. Mas, obviamente, a construção da governabilidade e das relações com partidos e Congresso Nacional pode desaguar numa aliança para 2026”. E afirmou: “A extrema direita está preparada. Está querendo eleger ao menos um senador por Estado”.
A ministra também pontuou a importância de uma comunicação eficiente do governo federal. “É importante a gente falar para o povo o que nós estamos fazendo e porque nós estamos fazendo. Mostrar a diferença de projeto. O que (Jair) Bolsonaro fez? O auxílio emergencial fomos nós que aprovamos no Congresso”, disse a ministra.
Anistia
Sobre o projeto de anistia para golpistas condenados pelo 8/1, a ministra disse que o governo irá “encarar” o debate envolvendo o projeto de lei no Congresso. Em sua avaliação, porém, a defesa sobre o tema se enfraqueceu, especialmente depois da baixa adesão registrada à manifestação do ex-presidente da República Jair Bolsonaro no domingo (16).
“Somos contra a anistia, esse debate nós vamos encarar e não pode ter, porque o que aconteceu no País foi muito sério”, afirmou Gleisi. E completou: “A tentativa de golpe deles foi muito séria, não foi uma brincadeira não, culminou no 8 de Janeiro”.
Na avaliação de Gleisi, não há maioria para votar o projeto. “Especialmente depois da manifestação que Bolsonaro chamou no Rio de Janeiro, acho que enfraqueceu bastante essa posição no Congresso Nacional”, citou. “Mas é óbvio que vão tentar votar, fazer obstrução [de pauta]. Não conseguem fazer obstrução sozinhos, só o PL, teria que ter apoio de outros partidos, mas é a tentativa que vão fazer”.
O projeto de lei 2.858/2022, de autoria do deputado federal Major Vitor Hugo (PL-GO), fala sobre a anistia aos participantes do 8 de Janeiro e reuniu outros semelhantes que foram apresentados na Câmara dos Deputados. É o texto mais avançado no Legislativo hoje. O projeto também pode beneficiar Bolsonaro, já que diz que as pessoas que participaram de eventos antes ou depois de 8 de janeiro de 2023 que tenham conexão com os atos daquele dia também são alvos da anistia.
O PL, partido de Bolsonaro, avalia que tem os votos necessários para aprovar a proposta. Por ser um projeto de lei, é necessário ter a aprovação da maioria da Casa, que tem 513 deputados.
Kassab injusto
Gleisi Hoffmann também disseque o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, está sendo “muito injusto” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O governo tem uma composição muito mais ampla que a que o elegeu em 2022, com MDB, PSD, União e PP”.
O PSD possui três ministérios no governo federal – Minas e Energia, Pesca e Aquicultura, Agricultura e Pecuária – mas Kassab é secretário de Governo e Relações Institucionais do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), potencial candidato ao Planalto em 2026.
Durante seminário na Fundação Fernando Henrique Cardoso na quinta-feira (20), Kassab afirmou que Lula está cometendo o mesmo erro que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que está “cada vez mais à esquerda”.
“Também discordo que ‘qualquer um ganharia a eleição de 2022 de Bolsonaro’”, lembrou a ministra. “Foram dez candidatos e não foi qualquer um que ganhou, foi Lula. Foi uma eleição muito difícil em que Bolsonaro estava na cadeira da Presidência da República, com muito dinheiro e programas sendo liberados. Muita fake news”.